sábado, 30 de novembro de 2013

Análise da Crítica da peça teatral "O 3º Travesseiro", por Sérgio Ripardo



        Nestes tempos contemporâneos, em que, cada vez mais, se debate a importância da diversidade e a quebra de tabus sexuais, a indústria cultural torna-se divulgadora (e receptora) da temática homossexual. Contudo, a discussão desse tema é complexa. Além da busca por conteúdos de qualidade, é necessária a fuga dos preconceitos, lugares-comuns e enquadramentos que não refletem a realidade desse grupo estigmatizado. É cada vez mais comum a heteronormatividade estar presente em peças culturais com essa temática, opondo-se ao que, em tese, deveria ser buscado: a retratação de um universo distinto.

       Sérgio Ripardo, editor online da Folha Ilustrada, analisa a peça de teatro “O 3º Travesseiro”, estreada no Teatro Augusta, em São Paulo, no dia 22 de julho de 2007. A peça foi dirigida por Regiana Antonini e é baseada no livro homônimo de Nelson Luiz Rodrigues. O título da crítica (Crítica: "O 3º Travesseiro" afunda em caricatura, clichê e direção desastrada) demonstra que a peça não conseguiu discutir o tema sem fugir dos aspectos anteriormente explanados. Em produtos culturais que seguem essa temática, é possível perceber a perda do foco da discussão através da exposição erótica de corpos nus ou seminus e/ou cenas de sexo, usadas de forma indiscriminada. É esse um dos aspectos convenientemente destacados por Ripardo em sua crítica. O crítico destaca a hetenormatividade presente na peça, ao caracterizar um dos atores principais. “Já Renato, o melhor amigo de Marcus, é o personagem de Rodrigo Einsfeld, que atrai mais a atenção do público pela tatuagem na barriga e o jeito mais "ativo" de ser”. Além disso, Ripardo critica a atuação do elenco, a sonoplastia e o enredo clichê.

       A crítica é elabora de forma impessoal. Sérgio Ripardo não critica levando em conta seus gostos pessoais, mas sim realizando uma análise detalhada dos diversos aspectos da peça, o que demonstra que o crítico tem conhecimento técnico. Além disso, a citação de filmes, seriados, figurino e músicas para comparação demonstra o conhecimento cultural. Essas duas especificidades (conhecimento técnico e cultural) são embasamentos necessários para uma boa crítica. A linguagem utilizada é acessível, permitindo a compreensão do leitor não especializado. O leitor especializado, por sua vez, é contemplado quando o autor faz comparações com outros produtos culturais e analisa aspectos técnicos da obra. Apesar de ser uma boa crítica, há uma afirmação do texto que pode ser questionada. Ao falar sobre a colagem de filmes antigos presente na peça, Ripardo afirma que “Mais de uma década depois, parada gay de 2 milhões de pessoas na avenida Paulista e personagens homossexuais em várias mídias, talvez nem o grupo puritano Mulheres de Santana deve ainda se chocar com uma cena de dois rapazes e uma moça dividindo a mesma cama”. 



Guilherme Freire Montijo 

Crítica disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u52197.shtml

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