Nestes tempos contemporâneos, em
que, cada vez mais, se debate a importância da diversidade e a quebra de tabus
sexuais, a indústria cultural torna-se divulgadora (e receptora) da temática
homossexual. Contudo, a discussão desse tema é complexa. Além da busca por
conteúdos de qualidade, é necessária a fuga dos preconceitos, lugares-comuns e
enquadramentos que não refletem a realidade desse grupo estigmatizado. É cada
vez mais comum a heteronormatividade estar presente em peças culturais com essa
temática, opondo-se ao que, em tese, deveria ser buscado: a retratação de um
universo distinto.
Sérgio Ripardo, editor online da
Folha Ilustrada, analisa a peça de teatro “O 3º Travesseiro”, estreada no
Teatro Augusta, em São Paulo, no dia 22 de julho de 2007. A peça foi dirigida
por Regiana Antonini e é baseada no livro homônimo de Nelson Luiz Rodrigues. O
título da crítica (Crítica: "O 3º Travesseiro" afunda em caricatura,
clichê e direção desastrada) demonstra que a peça não conseguiu discutir o tema
sem fugir dos aspectos anteriormente explanados. Em produtos culturais que
seguem essa temática, é possível perceber a perda do foco da discussão através
da exposição erótica de corpos nus ou seminus e/ou cenas de sexo, usadas de
forma indiscriminada. É esse um dos aspectos convenientemente destacados por
Ripardo em sua crítica. O crítico destaca a hetenormatividade presente na peça,
ao caracterizar um dos atores principais. “Já
Renato, o melhor amigo de Marcus, é o personagem de Rodrigo Einsfeld, que atrai
mais a atenção do público pela tatuagem na barriga e o jeito mais
"ativo" de ser”. Além disso, Ripardo critica a atuação do elenco,
a sonoplastia e o enredo clichê.
A crítica é elabora de forma
impessoal. Sérgio Ripardo não critica levando em conta seus gostos pessoais,
mas sim realizando uma análise detalhada dos diversos aspectos da peça, o que demonstra
que o crítico tem conhecimento técnico. Além disso, a citação de filmes,
seriados, figurino e músicas para comparação demonstra o conhecimento cultural.
Essas duas especificidades (conhecimento técnico e cultural) são embasamentos
necessários para uma boa crítica. A linguagem utilizada é acessível, permitindo
a compreensão do leitor não especializado. O leitor especializado, por sua vez,
é contemplado quando o autor faz comparações com outros produtos culturais e
analisa aspectos técnicos da obra. Apesar de ser uma boa crítica, há uma
afirmação do texto que pode ser questionada. Ao falar sobre a colagem de filmes
antigos presente na peça, Ripardo afirma que “Mais de uma década depois, parada gay de 2 milhões de pessoas na
avenida Paulista e personagens homossexuais em várias mídias, talvez nem o
grupo puritano Mulheres de Santana deve ainda se chocar com uma cena de dois
rapazes e uma moça dividindo a mesma cama”.
Guilherme Freire Montijo
Crítica disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u52197.shtml
muito bom! parabéns! veja: elabora de - elaborada de
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